• Ana Paula Peron

Como a maturidade emocional pode colaborar com o seu olhar sobre os conflitos?

Além de habilidades de negociação e diálogo, a prática da transformação de conflitos exige que o participante esteja aberto ao autoconhecimento e disposto a adotar uma postura mais ponderada em relação ao outro – e a maturidade emocional está diretamente associada a isso.

O desenvolvimento dessa aptidão permite compreender que não é necessário culpar ou julgar ninguém pelo que lhe acontece. A maturidade emocional permite a manutenção de relações mais equilibradas, a partir da mais facilidade em lidar com suas próprias emoções.

Um dos principais sinais de maturidade é a compreensão de que as relações humanas funcionam a partir da interdependência. Isso significa entender que você e as outras pessoas não são subordinadas ou soberanas umas às outras, mantendo verdadeiras relações de reciprocidade.


Nesse sentido, reconhecer-se interdependente é um importante sinal de maturidade, capaz de influenciar positivamente sobre a forma como lidamos com os conflitos. Deste modo, cabe a cada indivíduo reconhecer simultaneamente não apenas seu próprio espaço, suas necessidades e obrigações, mas também aqueles que importam a cada pessoa inserida na relação.


A esse respeito, podemos dividir nossas fases da vida em 3 momentos muito distintos:

- Quando crianças, vivemos em situação de completa dependência, precisando do outro para tudo: alimentação, segurança, abrigo, etc. Sobrevivemos ao nascer porque outras pessoas se dispuseram a cuidar de nossas necessidades básicas. Por isso, crescemos acreditando que, de fato, sempre dependeremos do outro.


- A independência passa a se manifestar na juventude, momento em que, muitas vezes, nos tornamos mais autônomos, insubmissos e competitivos, achando que podemos tudo sem o outro.


- A maturidade emocional, então, ocorre quando entendemos a realidade da interdependência, uma relação na qual reafirmamos nossa autonomia, enquanto reconhecemos e honramos a importância e o lugar do outro.

Maturidade emocional e conflitos


Além de contribuir para o autoconhecimento e a satisfação pessoal, a percepção sobre a interdependência pode influenciar o olhar em relação aos conflitos. Por exemplo, diante de uma situação em que a outra pessoa deixou de fazer algo que você desejava, sua atitude poderá ser mais arrogante ou mais tolerante, a depender de sua maturidade emocional.

Essa mesma percepção determinará como você lida com opiniões distintas às suas, podendo levar à construção de conversas edificantes e significativas ou, por outro lado, a desgastantes situações de conflito, com potencial de prejudicar relacionamentos importantes na sua vida. 


Assim, a maturidade emocional permite alcançar novos níveis de tolerância e resiliência, aceitando diferenças e lidando melhor com frustrações. Este processo será fundamental para o seu desenvolvimento, uma vez que pessoas emocionalmente maduras tendem a ser mais ousadas e, consequentemente, aceitar maiores desafios e conquistar objetivos.

Além disso, por terem melhor capacidade de autoconhecimento e autorrealização, pessoas emocionalmente maduras têm mais facilidade em reconhecer quais situações são inaceitáveis e quais são inevitáveis. Com isso, torna-se possível desenvolver soluções e estratégias melhores, administrar reveses e viver com tranquilidade.


Entretanto, se você se acomodar na dependência ou na independência, preferindo apenas culpar e julgar o outro pelo que lhe acontece, acabará assumindo o lugar de vítima e incentivando conflitos, ao invés de investir em relações profundas, construtivas e duradouras.


É essa consciência que gera ousadia.


Ana Paula Peron

Especialista em apoiar pessoas e organizações na construção de relações mais saudáveis e sustentáveis, a partir de processos mediativos.

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